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Hoje é quarta-feira, 20 de agosto de 2008

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Horizonte Largo

Andanças

Por Paulo de Freitas Mendonça *

Fico feliz ao saber que meus parceiros e amigos estão andando por esse mundão de Deus.

O instrumentista Edilberto Bérgamo se apresenta em Montevidéu em julho.

Dia 16, na Parilla e dia 17 no Teatro La Colmena. Depois segue para mais uma atuação em terras uruguaias, no Teatro Municipal de Taquarembó, dia 19.

Já Valdir Verona, Rafael De Boni e Rosa Amélia seguem com seu espetáculo do Sul às Gerais. Dia 17 de julho se apresentam no Itaimbé Palace Hotel, em Santa Maria. Em agosto vão aos Sesc de Ijui (16/08) e Passo Fundo (17/08).

Os pajadores e trovadores Jadir Oliveira, José Estivalet e Tetê Carvalho se apresentam, acompanhados dos músicos Osmar Carvalho e Zezinho Furquin, no Sesc de São Carlos de 08 a 10 de agosto. Neste mesmo evento estão Gaúcho da Fronteira, Renato Borghetti e outros artistas do sul.

Reflexão

A felicidade transborda quando percorro os quase 400 km entre a capital gaúcha, onde vivo, e minha cidade natal. A cada viagem, reflito mais do que naquela, aos 18 anos de idade, quando me estabeleço na maior metrópole do Rio Grande do Sul. Lembro claramente dos preconceitos para com a gente da cidade grande, ainda vigentes no interior. Contudo, o mundo é o que agente faz, independente do local onde estamos.

De repente, no dia 02 de julho deste ano, me encontro na Semana da Cultura de São Pedro do Sul, participando orgulhosamente de um painel sobre poesia oral improvisada, juntamente com dois grandes amigos, Moisés Silveira de Menezes e Colmar Pereira Duarte. De lá, venho de malas prontas para seguir para o Seival de São Lourenço do Sul e dentro de poucos dias embarco para o Uruguai e Argentina. Recebo um email de um amigo panamenho que se encontra num festival de poetas na Espanha, juntamente com outras pessoas do meu convívio cultural. No momento em que encontro antigos e bons amigos no torrão de onde sou oriundo, depois chego em Porto Alegre e retorno ao convívio dos meus contemporâneos na capital, abraço outros na costa da lagoa e me sinto eufórico por que se aproxima o momento de reencontrar outros grandes amigos além fronteira e mantenho contato com parceiros no outro hemisfério da esfera global, reafirmo minha certeza de que somos todos irmãos, independente de nacionalidade, procedência, residência, padrão sócio-econômico ou idioma.

Somos frutos do nossos pensamentos e atitudes. Por tudo isso, louvo sempre o movimento cultural que me coloca em contato com pessoas afins, em diversos países e que me permite sentí-los como amigos e ter a clara percepção de que a recíproca é verdadeira.

Quando me encontro nestes momentos de reflexão, em qualquer parte do mundo, não consigo entender a razão das guerras, das perseguições, dos atos deploráveis que a política e o preconceito estabelecem nas mentes humanas.

A Suprema Paz


A paz é mais que um evento,

sutil em sua unidade.

Possui mais diversidade

que da terra ao firmamento.

A paz de estacionamento,

por plasmada, nada faz,

ensimesmada lhe apraz

beber do egocentrismo.

Por ser paz de egoísmo

Não é a suprema paz.


  • A paz de quem não agride

    com falso olhar sereno,

    por não judiar do pequeno

    se julga grande e regride.

    Pela empáfia não progride,

    pois tem ganância mordaz.

    Dança a vaidade fugaz

    na guerra embaixo dos panos,

    sendo paz de ares profanos

    Não é a suprema paz.


  • A paz falsa que consola

    pondo-lhe a mão na cabeça.

    Ao contrário que pareça

    produz falácia e enrola,

    num discurso que controla

    a inocência que ali jaz.

    É uma paz incapaz

    de acalmar alheia dor.

    Por ser de esfera inferior,

    Não é a suprema paz.


  • A paz trançada em tratados,

    em contrato ou carta régia,

    é uma paz de estratégia

    com dois lados deformados.

    É paz dos desesperados

    que são guerreiros, aliás,

    com rastros de sangue atrás,

    apenas cessam as mortes

    Paz de interesse dos fortes

    Não é a suprema paz.


  • A paz por necessidade

    por revanche do vencido

    é algo tão sem sentido,

    foge a razão da verdade.

    É paz sem cumplicidade

    que um passo em falso a desfaz.

    Logo a guerra se refaz

    em sua arte tão ágil.

    Por ter fundamento frágil,

    Não é a suprema paz.


  • Paz de interesse vulgar,

    gesto de falso cortês,

    salgada de insensatez

    é gota doce no mar.

    Mistura-se ao seu azar

    e por mais que seja audaz

    torna-se ineficaz

    de vestir-se em cortesia.

    Por ser paz de antipatia

    Não é a suprema paz.


  • A paz de estar solito

    no meio da multidão

    ou de arder em solidão

    em seu recinto restrito.

    É paz que sufoca o grito

    da realidade vivaz.

    Por sonhador contumaz,

    se torna um auto-recluso.

    Por ser a paz de um confuso,

    Não é a suprema paz.


  • A paz de grande festejo

    só vestida de aparência

    é uma paz sem consciência

    de destorcido desejo.

    Rolam moedas ao tejo

    na extravagância voraz.

    Quase ninguém é capaz

    de conter farto consumo.

    Por embriagar seu rumo

    Não é a suprema paz.


  • Paz de alardes frenéticos

    de falatórios inúteis

    com protagonistas fúteis

    e resultados patéticos,

    atropela atos éticos,

    mostra vistoso cartaz,

    porém quem é perspicaz

    pouca atenção lhe demanda,

    porque a paz de propaganda

    Não é a suprema paz.


  • Contudo, a paz de verdade

    tem sopros de onipotência,

    de compreensão, clemência,

    fé, justiça e caridade,

    de infinita bondade,

    de servidor pertinaz,

    de amoroso tenaz,

    vendo a todos como seus.

    Só a paz que vem de Deus

    É sim, a suprema paz.


  • -------------------------------------------

    Disse Dom Jayme Caetano


    Lembro Dom Jayme Caetano,

    o pajador missioneiro,

    como um pajé feiticeiro

    do xucro verso pampeano.

    Quando esteve nesse plano,

    disse ao Pago muito bem:

    “Às vezes quem nada tem

    é aquele que melhor vive,

    quantas fortunas eu tive

    sem nunca ter um vintém.”


  • Menestrél iluminado,

    do nosso tempo, um Homero,

    que teve um cantar sincero

    do presente e do passado.

    Disse que o Patrão sagrado,

    em sua sabedoria,

    “deu o canto e a melodia

    para os pássaros e os ventos

    pra que fossem complementos

    do que chamamos poesia”


  • Fez um relato preciso,

    em sua crioula leitura,

    que Deus fez criatura

    que expulsou do paraíso.

    Arrematou d’improviso

    com este verso bonito:

    “O homem nasce de um grito

    e a morte é tão silenciosa

    na passagem misteriosa

    que apaga nosso infinito”


  • Poeta e pajador,

    o crioulo das missões,

    fazia interpretações

    do gaúcho campeador,

    desde o de fino teor

    ao taura da casca grossa:

    “Que bárbara a raça nossa,

    vejo quando examino,

    as origens do teatino

    que o chimarrão não adoça”


  • De-a-cavalo na experiência

    que lhe forjou a estatura

    num manancial de cultura,

    interrogando à existência.

    E por ter buena consciência,

    disse com sinceridade:

    “Aprendi na mocidade

    algo que ninguém me tira,

    que não há meia mentira,

    tampouco meia verdade.”


  • Por isso tem a certeza

    que nada é ultrapassado,

    porque tudo está ligado

    nas teias da natureza.

    Nos explica com clareza

    a força da auto-estima:

    “Há uma lei que vem de cima

    na estrada do tapejara:

    - o tempo que nos separa

    é o que mais nos aproxima.”


  • Conheci este cantor

    escreve Mozart Pereira

    quando abre-lhe a porteira

    do potreiro pro leitor.

    Também guardo este “honor”;

    igualmente o conheci.

    E com ele eu aprendi

    o que o mundo saberá:

    “Por longe que o homem vá

    nunca fugirá de si”


  • Há homens que nascem vento

    passam - passam, ninguém nota,

    mas os de bombacha e bota

    são feitos de sentimento.

    Por orgulho ao seu talento

    na pajada e na cantiga

    sempre ouço voz amiga

    a alardear com louvor:

    “Que conheceu um cantor

    daqueles da marca antiga.



  • Coxilha Nativista
    VEJA REGULAMENTO DA ANTOLOGIA ANO 20.