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| Horizonte LargoAndanças
Por Paulo de Freitas Mendonça *
Fico feliz ao saber que meus parceiros e amigos estão andando por esse mundão de Deus. O instrumentista Edilberto Bérgamo se apresenta em Montevidéu em julho. Dia 16, na Parilla e dia 17 no Teatro La Colmena. Depois segue para mais uma atuação em terras uruguaias, no Teatro Municipal de Taquarembó, dia 19. Já Valdir Verona, Rafael De Boni e Rosa Amélia seguem com seu espetáculo do Sul às Gerais. Dia 17 de julho se apresentam no Itaimbé Palace Hotel, em Santa Maria. Em agosto vão aos Sesc de Ijui (16/08) e Passo Fundo (17/08). Os pajadores e trovadores Jadir Oliveira, José Estivalet e Tetê Carvalho se apresentam, acompanhados dos músicos Osmar Carvalho e Zezinho Furquin, no Sesc de São Carlos de 08 a 10 de agosto. Neste mesmo evento estão Gaúcho da Fronteira, Renato Borghetti e outros artistas do sul. Reflexão A felicidade transborda quando percorro os quase 400 km entre a capital gaúcha, onde vivo, e minha cidade natal. A cada viagem, reflito mais do que naquela, aos 18 anos de idade, quando me estabeleço na maior metrópole do Rio Grande do Sul. Lembro claramente dos preconceitos para com a gente da cidade grande, ainda vigentes no interior. Contudo, o mundo é o que agente faz, independente do local onde estamos. De repente, no dia 02 de julho deste ano, me encontro na Semana da Cultura de São Pedro do Sul, participando orgulhosamente de um painel sobre poesia oral improvisada, juntamente com dois grandes amigos, Moisés Silveira de Menezes e Colmar Pereira Duarte. De lá, venho de malas prontas para seguir para o Seival de São Lourenço do Sul e dentro de poucos dias embarco para o Uruguai e Argentina. Recebo um email de um amigo panamenho que se encontra num festival de poetas na Espanha, juntamente com outras pessoas do meu convívio cultural. No momento em que encontro antigos e bons amigos no torrão de onde sou oriundo, depois chego em Porto Alegre e retorno ao convívio dos meus contemporâneos na capital, abraço outros na costa da lagoa e me sinto eufórico por que se aproxima o momento de reencontrar outros grandes amigos além fronteira e mantenho contato com parceiros no outro hemisfério da esfera global, reafirmo minha certeza de que somos todos irmãos, independente de nacionalidade, procedência, residência, padrão sócio-econômico ou idioma. Somos frutos do nossos pensamentos e atitudes. Por tudo isso, louvo sempre o movimento cultural que me coloca em contato com pessoas afins, em diversos países e que me permite sentí-los como amigos e ter a clara percepção de que a recíproca é verdadeira. Quando me encontro nestes momentos de reflexão, em qualquer parte do mundo, não consigo entender a razão das guerras, das perseguições, dos atos deploráveis que a política e o preconceito estabelecem nas mentes humanas. A Suprema Paz
A paz é mais que um evento, sutil em sua unidade. Possui mais diversidade que da terra ao firmamento. A paz de estacionamento, por plasmada, nada faz, ensimesmada lhe apraz beber do egocentrismo. Por ser paz de egoísmo Não é a suprema paz. A paz de quem não agride com falso olhar sereno, por não judiar do pequeno se julga grande e regride. Pela empáfia não progride, pois tem ganância mordaz. Dança a vaidade fugaz na guerra embaixo dos panos, sendo paz de ares profanos Não é a suprema paz. A paz falsa que consola pondo-lhe a mão na cabeça. Ao contrário que pareça produz falácia e enrola, num discurso que controla a inocência que ali jaz. É uma paz incapaz de acalmar alheia dor. Por ser de esfera inferior, Não é a suprema paz. A paz trançada em tratados, em contrato ou carta régia, é uma paz de estratégia com dois lados deformados. É paz dos desesperados que são guerreiros, aliás, com rastros de sangue atrás, apenas cessam as mortes Paz de interesse dos fortes Não é a suprema paz. A paz por necessidade por revanche do vencido é algo tão sem sentido, foge a razão da verdade. É paz sem cumplicidade que um passo em falso a desfaz. Logo a guerra se refaz em sua arte tão ágil. Por ter fundamento frágil, Não é a suprema paz. Paz de interesse vulgar, gesto de falso cortês, salgada de insensatez é gota doce no mar. Mistura-se ao seu azar e por mais que seja audaz torna-se ineficaz de vestir-se em cortesia. Por ser paz de antipatia Não é a suprema paz. A paz de estar solito no meio da multidão ou de arder em solidão em seu recinto restrito. É paz que sufoca o grito da realidade vivaz. Por sonhador contumaz, se torna um auto-recluso. Por ser a paz de um confuso, Não é a suprema paz. A paz de grande festejo só vestida de aparência é uma paz sem consciência de destorcido desejo. Rolam moedas ao tejo na extravagância voraz. Quase ninguém é capaz de conter farto consumo. Por embriagar seu rumo Não é a suprema paz. Paz de alardes frenéticos de falatórios inúteis com protagonistas fúteis e resultados patéticos, atropela atos éticos, mostra vistoso cartaz, porém quem é perspicaz pouca atenção lhe demanda, porque a paz de propaganda Não é a suprema paz. Contudo, a paz de verdade tem sopros de onipotência, de compreensão, clemência, fé, justiça e caridade, de infinita bondade, de servidor pertinaz, de amoroso tenaz, vendo a todos como seus. Só a paz que vem de Deus É sim, a suprema paz. ------------------------------------------- Disse Dom Jayme Caetano
Lembro Dom Jayme Caetano, o pajador missioneiro, como um pajé feiticeiro do xucro verso pampeano. Quando esteve nesse plano, disse ao Pago muito bem: “Às vezes quem nada tem é aquele que melhor vive, quantas fortunas eu tive sem nunca ter um vintém.”
Menestrél iluminado, do nosso tempo, um Homero, que teve um cantar sincero do presente e do passado. Disse que o Patrão sagrado, em sua sabedoria, “deu o canto e a melodia para os pássaros e os ventos pra que fossem complementos do que chamamos poesia”
Fez um relato preciso, em sua crioula leitura, que Deus fez criatura que expulsou do paraíso. Arrematou d’improviso com este verso bonito: “O homem nasce de um grito e a morte é tão silenciosa na passagem misteriosa que apaga nosso infinito”
Poeta e pajador, o crioulo das missões, fazia interpretações do gaúcho campeador, desde o de fino teor ao taura da casca grossa: “Que bárbara a raça nossa, vejo quando examino, as origens do teatino que o chimarrão não adoça”
De-a-cavalo na experiência que lhe forjou a estatura num manancial de cultura, interrogando à existência. E por ter buena consciência, disse com sinceridade: “Aprendi na mocidade algo que ninguém me tira, que não há meia mentira, tampouco meia verdade.”
Por isso tem a certeza que nada é ultrapassado, porque tudo está ligado nas teias da natureza. Nos explica com clareza a força da auto-estima: “Há uma lei que vem de cima na estrada do tapejara: - o tempo que nos separa é o que mais nos aproxima.”
Conheci este cantor escreve Mozart Pereira quando abre-lhe a porteira do potreiro pro leitor. Também guardo este “honor”; igualmente o conheci. E com ele eu aprendi o que o mundo saberá: “Por longe que o homem vá nunca fugirá de si” Há homens que nascem vento passam - passam, ninguém nota, mas os de bombacha e bota são feitos de sentimento. Por orgulho ao seu talento na pajada e na cantiga sempre ouço voz amiga a alardear com louvor: “Que conheceu um cantor daqueles da marca antiga. |